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Blog de ednacosta

http://pausapraprosa.blogspot.com

Crônicas de minha autoria, algumas receitas, piadinhas e, as vezes, um dedo de prosa sobre meu dia-a-dia.

postado em 07/05/2007 - 01:53 - 4 comentários

Uma história de amor.

Uma história de amor.

Apresento a Jully, nossa mascote querida e sua história, escrita como gratidão pelo que tem nos dado. Beijokas.
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Crônica por Edna Costa. Abril/2007.

Quem não tem uma história de amor para contar? Amor de filhos, mãe, família, amigos e…bichos! Há anos atrás quando alguém me falava do amor que tinha pelo seu cachorro, gato, passarinho ou mesmo um peixinho, eu achava esquisito. Nunca havia me passado pela cabeça a possibilidade de termos um mascote e tratá-lo como membro da família, até que apareceu a July.

Eu nunca quis bichos de estimação pois sabia que iria sobrar para mim o cuidado com eles. Dá para imaginar ter que cuidar de três filhos pequenos (meninos levadíssimos), marido (chatíssimo), casa e ainda encarar essa tarefa extra? Mas, naquele dia de maio de 1997, meu filho apareceu com a surpresa que eu mais temia: um filhotinho de cachorro. Eu me preparei para uma batalha em que sairia vencedora dando a última palavra; um sonoro não!

Mas não estava preparada para o que aconteceria naquele instante. Aquela pequena coisinha, parecia uma bola de sedosos pêlos dourados perfeitamente encaixada na mão e numa parte do braço dele. Tremendo, me encarou com olhos amedrontados e a partir daquele momento conquistou meu coração e de toda família.

Já se passaram quase dez anos! A Jully tem nos acompanhado em todos os momentos de nossas vidas. Sempre foi geniosa, barulhenta e mimada. Controla todo mundo e se não fazemos as vontades dela lança aquele olhar tristonho e resignado que desmonta a gente na hora! Por outro lado é carinhosa, amiga, leal e companheira.

Últimamente ela tem se comportado de maneira diferente e descobrimos o porque. Como tudo no mundo, ela também envelheceu. Já não puxa tanto a coleira quando a levamos para passear, tem mais dificuldade em subir no sofá ou na cama, dorme mais tempo e ronca muito. Tem ficado mais vezes doente e nossa última descoberta foi dolorosa.

A Jully está perdendo a visão! Nós a levamos ao veterinário que disse ser possível fazer uma cirurgia (aspirar a retina) para ela não ficar totalmente cega e para que possa enxergar pelo menos vultos. Em casa, ela não tromba com as coisas pois já está acostumada com a disposição de tudo mas na rua precisamos ter mais cuidados.

Meu coração fica pequenininho quando ela, que antes caminhava lépida e altiva, latindo para tudo e todos, puxando violentamente a coleira, hoje se cansa mais rápidamente, caminha com a cabeça um tanto baixa e se não tomarmos cuidado, bate em algum obstáculo.

Sei que a morte faz parte da vida, Mas, não consigo imaginar como sera o dia em que a Jully partir. Todos os dias fazemos de tudo para que ela tenha conforto, carinho e amor, até a jornada final. É o mínimo que podemos dar a ela que nos deu tanto, por tantos anos.

Nota: A Jully é da raça cocker spaniel, que vive em media 12 anos.

postado em 05/05/2007 - 02:01 - 0 comentário

" De cebolas, batatas e tomates "

" De cebolas, batatas e tomates "

Essa crônica foi escrita um dia depois dessa aventura. Agora, sempre que faço compras mais pesadas, peço duas sacolas para ter certeza que chegarei com a mercadoria salva em casa. Beijokas.
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Crônica por Edna Costa. 29.11.2003.

Dia desses protagonizei uma cena hilária e tudo por conta de batatas, tomates e cebolas que eu comprei para aproveitar o preço que estava bom. Eu levava aquele peso todo de uma cidade para outra. Quando saí
da estação de trem, vi que meu ônibus vinha vindo e resolvi atravessar a avenida de qualquer jeito.

Acontece que são três etapas para a travessia. Atravessei a primeira avenida e parei na ilha (um tiquinho de ilha que mal dava para caber meus pés e eu, com razoável segurança). Depois de alguns segundos, que pareceram minutos, consegui chegar na
segunda ilha (idem a primeira em tamanho). Fiquei com um olho no trânsito e outro no bendito ônibus que continuava parado no ponto com as pessoas entrando.

O farol estava fechado para as duas mãos que seguiam a esquerda e aberto para a faixa do ônibus. Então, os motoristas ao verem aquela figurinha frágil e sozinha (euzinha) perdida naquele ilhazinha, começaram a fazer gestos com as mãos para que eu atravessasse, que o ônibus esperaria. Diante da situação de perigo resolvi perder o ônibus e esperar o próximo sinal. Mas, qual o quê! O povo parecia querer ver sangue na arena!
Resolveram que eu teria que atravessar e tal foi a gritaria e os incentivos, que lá fui eu.

Acontece que a motorista do ônibus começou a sair lentamente com o dito cujo. Eu no desespero para atravessar a pista- e
agora pegar o ônibus também - comecei uma corrida maluca que acabou em comédia. Imaginem a cena: Quando eu estava no meio da avenida o fundo da sacola de legumes começou a rasgar. E eu correndo, nem vi. Só vi quando passou a primeira batata na minha frente (ela sendo grande e redonda tinha mais velocidade que eu, claro!). Em seguida veio mais uma batata...e mais outra...atrás vinham as cebolas e os tomates. Fui correndo e driblando todos para não pisar em nenhum e
cair, mas nem pensando em parar de correr.

Nisso a motorista tinha parado o ônibus e TODO mundo olhava para mim. Ela abriu a porta e eu entrei vermelha de vergonha e quase morta, sem folêgo. Alguém pode
imaginar uma senhora com minha dignidade (leiam assim: diga a idade) correndo acima de suas forças? As caras de todos pareciam dizer: "Oh! coitada!" Quando cheguei ao meu destino e fui descer do ônibus a motorista cheia de compaixão e simpatia me consolou:

- Bom, parece que hoje não vai ter jantar em casa né? Tenha uma boa noite querida. Agradeci, retribui a gentileza e desci do ônibus convicta de que nas próximas compras, vou colocar os legumes em duas
sacolas para ter certeza que tal cena jamais se repetirá.

postado em 04/05/2007 - 01:17 - 1 comentário

" UM DIA DE FÚRIA INFANTIL"

Cronica por Edna Costa. 17.07.2005.

Quem já não ouviu falar que a música acalma até as feras? Tempos atrás li um artigo muito interessante onde cientistas demonstravam pesquisas feitas com animais selvagens que, escutando música clássica, passavam da fúria para completo "estado alfa". Achei fantástico!

Dias atrás tive uma demonstração contrária à pesquisa. Eu sou babá do Samuel (2 anos) e uma vez por semana eu o levo à uma aulinha de música onde todos tem a mesma faixa etária. As crianças cantam, dançam, brincam, rolam pelo chão e experimentam "tocar"alguns instrumentos como pandeiro, tambor e outros do mesmo tipo ou seja, todos muito barulhentos.

A professora (americana) é muito amável. Ela é bem magra, deve ter uns 45 anos, tem longos cabelos ruivos encaracolados e grandes olhos verdes. Normalmente ela é meiga e paciente mas, acho que essa semana ela estava com problemas e resolveu botar prá fora suas neuras.

Colocou para tocar um cd num volume alto demais e com uma música que lembrava o som de tambores de canibais em uma floresta longígua. Assim que começou a música, ela (a professora) deu um grito, um rodopio e de um salto caiu no centro da sala no meio das assustadas crianças. Aí começou uma espécie de dança selvagem na qual agitava braços e pernas frenéticamente. A cabeça girava loucamente fazendo com que suas madeixas voassem de um lado para outro parecendo hélices de um helicóptero descontrolado prestes a cair. Seu rosto estava vermelho e seus olhos pareciam duas esmeraldas faiscando no fundo de uma caverna escura de onde saia sua vóz num som gutural.

Repentinamente as crianças formaram uma roda em volta dela e foram sendo empurradas como uma onda sem controle para o centro numa algazarra e gritaria infernal. Rodopiavam e urravam enlouquecidas como se estivessem pisando em brasas vivas. Um menino pegou duas baquetas (que servem para tocar tambor) e avançou sobre uma menina loura e, não fosse eu mais rápida, talvez ela fosse a primeira vítima da insana aula.

Nós, mães, avós e babás, óra batíamos palmas, óra ficávamos em completo estado de transe com tais cenas ou simplesmente nos olhávamos sem compreender bem o que sucedia. Finalmente a música terminou. As crianças suadas esparramadas pelo chão demonstravam estar exauridas de suas forças. Algumas ensaiaram um começo de choro mas a professora foi mais rápida e pegando seu instrumento musical (tipo um violão pequeno mas com um suave som de harpa) dedilhou uma melodia harmoniosa que acalmou os pequenos. Conclusão: A tese é verdadeira! Música selvagem excita e música suave acalma.

Fiquei feliz por ter terminado a aula. Peguei o Samuel, nossas coisas e fui saindo perplexa, aliás, como todos que lá estavam. Será que esse estado eufórico da querida mestra aconteceu de alegria por ter sido o último dia da aulinha (as aulas recomeçam logo após o verão) dos anjinhos? Hummmmm, será???

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